Estudo desenvolvido pela UFV re?ne o maior banco de solos da Ant?rtica

Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de Vi?osa (UFV) tornou-se refer?ncia internacional por reunir o maior banco de solos da Ant?rtica. O grupo de pesquisadores, coordenado pelo doutor em solos Carlos Ernesto Schaefer, est? realizando diversos estudos pioneiros para compreender o degelo da regi?o e como os impactos das mudan?as clim?ticas interferem nos ecossistemas terrestres e marinhos das zonas polares. O estudo ? desenvolvido com apoio financeiro da Funda??o de Amparo ? Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Secretaria de Estado de Ci?ncia, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes) e do CNPq, com apoio log?stico da Marinha brasileira.

A mais recente expedi??o ao continente gelado aconteceu no in?cio deste ano. Pelo dif?cil acesso, a regi?o tinha sido pouco explorada cientificamente. O grupo da UFV foi o primeiro a monitorar o seu solo. A pesquisa do solo Ant?rtico, conhecido como criossolos ou permafrost, ? considerada uma das mais estrat?gicas no efeito de mudan?as clim?ticas.

Os solos gelados (criossolos) constituem um quinto da superf?cie do planeta Terra. Com as mudan?as clim?ticas terrestres e a eleva??o da temperatura, o horizonte congelado do criossolos tamb?m sofre derretimento, podendo provocar o aumento das ?guas costeiras e a eleva??o do n?vel dos mares, acelerando a eros?o dos continentes e perdas de carbono.

O monitoramento desse solo pode ajudar a ci?ncia a prever como o aquecimento global est? promovendo o degelo Ant?rtico. ?Os criossolos s?o os primeiros a sofrer os impactos. A forma como os criossolos respondem ?s mudan?as clim?ticas pode ser uma das chaves que ajudam a tra?ar o cen?rio de como o planeta vai se comportar no futuro pr?ximo?, afirma Schaefer. Para isso, foram utilizadas sondagens, com a instala??o de sensores de monitoramento t?rmico e h?drico, e realizadas medi??es geof?sicas por meio de radar de penetra??o de solo, al?m dos estudos bot?nicos.

A ?rea onde as pesquisas est?o sendo executadas ? a que experimenta o maior aumento m?dio de temperatura terrestre, de quase 2,5oC em duas d?cadas. Dessa forma, o ritmo de degelo nessa regi?o ? o mais pronunciado. ?Ainda ? uma regi?o fria, mas quase tr?s graus de m?dia de aumento em curto prazo ? de extrema relev?ncia, e j? vem causando uma diferencia??o grande nos solos e ecossistemas terrestres?, explica Schaefer. Embora o sistema ainda apresente um clima frio, ele j? se encontra suficientemente mais aquecido para suportar certas esp?cies que se adaptam melhor a condi??es menos frias. O aumento da temperatura significa melhor oportunidade para as plantas sobreviverem no per?odo de inverno, mudando todo o equil?brio ecol?gico na Ant?rtica.

Outra vertente relevante do projeto ? o estudo da coloniza??o vegetal na Ant?rtica. Os pesquisadores brasileiros mostraram que a vegeta??o ? um dos principais indicadores do aquecimento global e das mudan?as clim?ticas. Assim, al?m do monitoramento da marcha de evolu??o da temperatura, o grupo tamb?m monitora o avan?o ou o recuo das comunidades vegetais nessas ?reas.

O projeto ? composto por v?rias linhas de pesquisa que envolvem todas as diferentes interfaces do estudo ambiental dos criossolos - qu?mica, f?sica e biol?gica. Atualmente, existem 20 pesquisadores que t?m experi?ncia na Ant?rtica e receberam treinamento para trabalhar no continente, na maioria, mineiros, ou que adotaram Minas Gerais para viver e estudar.

Efeitos globais

O derretimento das placas de gelo da Ant?rtica como conseq??ncia do aquecimento global n?o ? novidade na hist?ria do planeta Terra. J? nos anos 70, v?rios te?ricos previram que a eleva??o da temperatura provocaria o desprendimento das calotas de gelo, o aumento do fluxo das geleiras e o aumento do n?vel dos mares.

O que ocorre nas regi?es polares tem repercuss?o direta no equil?brio clim?tico do planeta. Os p?los, devido ?s suas baixas temperaturas, s?o respons?veis por manter o clima global ameno. Por isso, mesmo altera??es aparentemente pequenas nos ambientes polares podem ter conseq??ncias generalizadas, rompendo com esse equil?brio clim?tico.

O projeto vai at? 2009, mas a previs?o ? de continuidade. Em 2007/2008, os pesquisadores v?o fazer mais dois acampamentos na Ant?rtica. Os estudos j? deram origem a seis teses de doutorado e a quatro disserta??es de mestrado. ?Com o estudo do degelo do criossolos, estamos contribuindo para construir um modelo de entendimento do que est? acontecendo em termos globais?, conclui o coordenador.

Em 2007 e 2008 comemora-se o Ano Polar Internacional, um programa mundial de estudo dos p?los ?rtico e Ant?rtico voltado para as mudan?as clim?ticas. Seu principal objetivo ? ajudar na compreens?o do aquecimento global e de seus efeitos sobre a vida no planeta. Atualmente, o programa envolve cerca de 50 mil cientistas de todo o mundo e mais de 220 projetos de pesquisa. O Brasil participa com sete projetos, sendo um deles o da UFV.

A reportagem acima foi veiculada no Jornal Estado de Minas, de 13/08/07 e reproduzida no site ag?ncia Minas do Governo do Estado de Minas Gerais. Texto: Gustavo Werneck- EM.

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